Mesmo se não fosse espúria
Não conteria toda a fúria
Nem tampouco a injúria
Provinda dos invejosos.
Mesmo se ainda fosse casta
Seria uma iconoclasta
Do tipo que o olhar devasta
A fé dos ditos religiosos.
Macula a crença, se engana
Quem acha ser fetiche essa gana
De ver cair sobre terra insana
Esse magote de injuriosos.
Há quem viva de sexo solitário
No caso dela, é exatamente o contrário
Se expõe, se diverte… e de padre a corsário
Todos sabem de seus desejos “indecorosos”.
Ela é desejosa, não é pecadora ou impura,
Ela fez de seu corpo uma linda clausura
Um templo que dá aos súditos o céu e a loucura
E pode me contar entre os mais dela desejosos.



