Danton Medrado - Poemas | Promessas | Paixões
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Danton Medrado
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Entrevista - Agosto de 2004



Danton Medrado é poeta nas noites mal dormidas, anarquista nas horas decisivas, “orkutano” nos fins de semana e Designer Gráfico no restante do tempo... Sua incursão pelo universo das letras começou quando ainda criança, época em que passava as tardes lendo literatura de cordel para seu avô materno. Nasceu em C. Dantas, no sertão nordestino e radicou-se em São Paulo no final da década de 80, onde vive até hoje. Com esta entrevista, cedida pelo autor via internet, os internautas terão a oportunidade de conhecer um pouco do universo dantoniano.


— Uma vez você comentou que primeiro surge o título e depois você escreve o livro. Com isso você sugere que o próprio título encerra a temática dos seus trabalhos?

Verdade. Isso aconteceu nos primeiros livros, talvez até porque na época eu tinha mais tempo pra escrever, hoje o que consigo fazer é juntar o que escrevo durante um determinado tempo num único titulo.

— Como surgiu o título do seu mais recente trabalho?

Albergue Ilusória nasceu da constatação de que é possível salvar nossos sonhos e ilusões num determinado lugar de nossa mente. É como se fosse um refúgio, um abrigo de coisas boas que nos aconteceram.

— A leitura de alguns poemas revela sua predileção por palavras não usuais: ergástulo, carbúnculo... Você parece se divertir muito com elas.

Pode ser, mas na verdade são palavras usuais no nordeste, e estão incrustada no meu vocabulário, não tenho como fugir.

— Solidão e morte são temas muito freqüentes neste livro. Como é o seu relacionamento, como poeta, com estes dois temas?

É incrível como os atos de escrever e ler se associam imediatamente à solidão. O livro é o amigo mais egoísta que o homem pode ter. Por outro lado, há períodos em que eu gosto muito de me isolar, é aí que passo a escrever mais, ou seja, é uma solidão profícua.
Bem, já em relação à morte, deve ser pelo fato de percebermos o quanto a maioria teme essa palavra, aproveito para brincar com a mesma.

— Quando, na sua opinião, deixaremos de ser “consumidores de sofrimentos”?

Não deixamos. É da natureza do ser humano, quanto mais ele quer e alcança, mais quer e passa a temer a perda.

— “Viver é uma arte”, uns garantem; “viver é uma dádiva”, outros atestam, ao que você contrapõe: viver é um crime. Explique melhor isso...

Para um homem ou mulher com talento; espiritualidade; vontade; bondade e sabedoria. Nasceu pobre, cresceu pobre e morrerá miserável, devido à tantas injustiças sociais. Quer fazer, não pode. Isso é vida?
Por outro lado, governamos pra nós mesmos, nos preocupamos com nosso umbigo, somos egoístas a ponto de passar por um mendigo caído na calçada e virarmos a cabeça. Fazemos guerras, matamos uns aos outros, mentimos, traimos... a lista de crimes não é pequena.

— Como são projetados seus poemas: como degraus conduzindo o leitor a um objetivo ou como vitrines atentas aos gostos e desgostos do homem moderno?

Eles são soltos sim, como filhos que crescem e deixam a casa dos pais. A esperança é de que pelo menos um deles toque em alguém com mais carinho ou não.

— Que aspecto do poema mais o atrai: o som ou a escrita?

Eu creio que ritmo e escrita, Bandeira fez isso muito bem.

— Que leituras contribuíram para sua formação de poeta?

— leio desde os 6 anos e comecei com literatura de cordel, talvez minha mais forte influência. Porém Manuel Bandeira foi o poeta que mais me marcou.

— Se você não escrevesse, de que outra forma expressaria suas idéias?

A música seria uma boa forma de expressar o que penso.

— Depois de alguns livros escritos (3 dos quais já editados), menções honrosas, participação em jornais e antologias, você se sente realizado como escritor?

Taí, costumo dizer que gosto de escrever, e quem gosta do que faz sente-se sempre realizado.

— Que legado um poeta desejaria para seus filhos?

Um sobrenome tá de bom tamanho.
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