|
10.12.2009 14h52min EM VÃO
Sobrevivo a mim mesmo
Há quem diga o contrário,
Sei lá, as vezes nem consigo ser eu
Esquecido de mim, sobrevivo.
Outrora me encontrei falante
Numa dessas tardes sem sol,
O café espanta o frio
Refugos de um dia só
Vivo a morte lenta da vida
Plena como a dúvida;
Sigo com passos incertos
Deserto que sou de mim mesmo
Castigo que aflige os poetas
Ao menos os que se renderam
Os que não tornaram-se ascetas.
O café antes do avião
O aliviar da pressão
Pra quem não nasceu alado
Só mesmo uma mulher do lado
Para fingir tranquilidade,
Rabisco papeis depois atiro-os ao chão
Num minuto todo o viver
Pareceu-me ser em vão.
|