É até engraçado a forma como as coisas mudam a vida da gente, já pararam pra perceber? Obviamente só nos atemos a essas coisas depois de algum tempo, quando elas ficaram para trás ou quando cruzamos com algum conhecido ou amigo de muitos anos e que comumente não encontramos com freqüência.
Uma dessas coisas interessantes em minha vida foi Raul Seixas. Todos aqueles que me conheceram da infância até a adolescência, sabem de minha paixão pelo controverso músico e compositor baiano. Cresci ouvindo Raul. Sua música, sua poesia, sua irreverência e sua anarquia moldaram de alguma forma o pensar desse magrelo aqui.
Mesmo ainda garoto, eu era referência quando o assunto era Raulzito, gabava-me por ter as letras de suas músicas na ponta da língua. Em São Paulo, já adolescente foi quando passei a ter mais acesso a vida do roqueiro, e tudo referente ao compositor eu procurava ter.
É, sei que essa é uma das características dos jovens, eu poderia dizer sem medo de ser queimado na fogueira, que Raul Seixas era uma divindade. Nessa época, longe dos computadores, fazíamos boletins mimeografados trazendo partes de músicas que acreditava ter conotações libertárias.
Em 1989, quando Raul morreu, eu cheguei a largar os estudos. Nessa época, militava no núcleo Pró COB-AIT, junto com amigos como A.W, Nenê Altro, Cícero, Isaque, Ivan, Sam etc... lembro-me da preocupação deles em me contar sobre a morte do carimbador maluco. Minhas irmãs, na época, preocupadíssimas, foi um alvoroço danado!
Enfim, isso tudo foi só pra dizer o quanto Raul Seixas foi importante em minha vida, e a música que por ventura tenha me marcado, marcou outros e outros tanto serão marcados por ela. Meu filho já ouve Raul Seixas, meu segundo filho chama-se Raul, quanto a mim, bem, hoje sou apenas um arremedo do que antes fui nessa matéria, mas continuo a ter Raul Seixas vivo, afinal, o caminho da vida, é a morte.